Com as transformações que vêm ocorrendo no mundo
(tecnologias, globalização, transição de produtos e do próprio
trabalhador), a necessidade de novas propostas pedagógicas e uma
reforma educacional coesa é imperativa. É imprescindível que a
escola acompanhe todas essas transformações e inove-se, não é mais
possível continuar com aulas maçantes, reprodutoras, quadro-negro e
giz.
Este é o momento de repensar a educação em si e, a partir daí,
criar dispositivos que possibilitem um novo olhar, onde todas as
áreas do conhecimento possam trabalhar questões pertinentes para
uma construção do conhecimento significativa, mais humana, mais
digna, embasada no princípio de igualdade, fraternidade, liberdade,
respeito ao outro.
Nesse sentido, podemos fazer uma análise crítica em relação a
todo o processo de mudanças pelo qual o mundo está passando e o
consequente bombardeamento de informações que o homem recebe
cotidianamente. Na verdade, o mundo contemporâneo - neste momento
da história denominada ora de sociedade pós-moderna, pós-industrial
ou pós-mercantil, ora de modernidade tardia - está marcado pelos
avanços na comunicação e na informática e por outras tantas
transformações tecnológicas e científicas. Essas transformações
intervêm nas esferas da vida social, provocando mudanças
econômicas, sociais, políticas, culturais, afetando, também, as
escolas e o exercício profissional da docência.
Para que haja um novo posicionamento, é impreterível que o
professor tenha profissionalismo, tenha comprometimento, seja capaz
de aprender a aprender, tenha domínio de sua disciplina, seja
autônomo e desenvolva um trabalho pertinente à realidade do aluno.
Mas, principalmente, que seja crítico e reflexivo, tenha condições
de pensar e repensar sua prática, buscando novos caminhos para
solucionar problemas. Enfim, que tenha coerência entre discurso e
prática.
Desse modo, possibilitará seu desenvolvimento pessoal e
profissional, dará oportunidade ao aluno para ampliar o leque de
conhecimento, ser um agente transformador da realidade, tendo
coesão em sua interpretação de mundo, aprendendo a pensar certo,
saber fazer, ser competente na prática social.
Assim sendo, é urgente um repensar consciente sobre a formação
do professor. Isto é, para formar cidadãos críticos,
transformadores é preciso ter uma formação inicial e continuada,
com projetos de intercâmbio entre universidades e escolas, com
pesquisas voltadas para a realidade de sala de aula, que haja
políticas educacionais sérias, que estejam concomitantes com a
realidade. Ou seja, que visem a qualidade do ensino, a valorização
do professor (que professores e sindicatos reivindiquem melhores
salários e melhores condições de trabalho).
Hoje o professor necessita de uma ação pedagógica diferenciada,
pois ele é história, faz parte da história, não é um consumidor que
vai à escola aprende e passa. Por isso, a importância de trabalhar
com a questão dos "portadores do saber", que têm um legado cultural
para deixar às próximas gerações, que estão diante de grandes
modificações em todos os segmentos sociais, inclusive a escola que
é mais um dos espaços para aprendizagem, assim se entende que é
local para síntese, para desenvolvimento de habilidades, para
formar sujeitos críticos e pensantes, integrados ao pensar
epistêmico.
Com relação ao aluno crítico e transformador da realidade, a
formação do professor requer questionamentos pertinentes. O
sociólogo Alain Touraine propõe algumas ideias para uma proposta de
esquerda no quadro das transformações em curso na sociedade, tais
como a internacionalização da economia, desenvolvimento acelerado
das novas tecnologias, agravamento da exclusão social, ruptura do
tecido social, aumento das desigualdades.
Isso, segundo Touraine, se inicia pela solidariedade que
significa estar ao lado dos excluídos e combater os efeitos das
desigualdades sociais por meio de medidas concretas em favor dos
desfavorecidos. Vem, em seguida, com a ideia de liberdade do
sujeito, o direito dos indivíduos de viver e ser reconhecidos como
sujeitos, capazes de fazer opções e respeitar os outros.
A terceira ideia é a de criar a diversidade no sentido de
reconhecimento do outro, para ver em cada indivíduo a presença do
universal e, simultaneamente, a do particular. É descobrir nos
outros o esforço de subjetivação, de se constituírem como sujeitos
na sua individualidade e na identidade cultural que é, afinal, o
reconhecimento dos direitos humanos fundamentais.
A quarta é saber conviver com as diferenças, "fazer conviver,
sob as mesmas leis, pessoas com crenças, concepções de vida e
interesses diferentes", incluindo a recusa em encaixar as pessoas
em modelos culturais herdados da modernidade.
O tratamento da questão da ética na escola ainda depende de
investigações mais consolidadas, mas se constitui em um desafio aos
educadores prepararem-se para ajudar os alunos nos problemas
morais, tais como a luta pela vida, a solidariedade, a democracia,
a justiça, a convivência com as diferenças, o direito de todos à
felicidade e autorrealização.
Portanto, devido às várias transformações mundiais, a
desigualdade social, a desvalorização do magistério, é uma
exigência para a profissão de Professor estar
inserida nas Novas Tecnologias da Comunicação e Informação (NTCI),
podendo utilizar todos os meios de comunicação para inovar as suas
aulas e, principalmente, auxiliar o aluno no entendimento das
mídias e das multimídias, tendo o papel de orientador quanto à
formação de opinião.
É possível, então, afirmar que não há proposta pedagógica e de
reforma educacional sem o professor. A informática, por exemplo, é
mais para a aprendizagem, sendo o professor o seu executor, que irá
possibilitar ao aluno uma nova visão de mundo por esse mecanismo,
ampliando a capacidade de entendimento, podendo construir uma
concepção diferenciada em relação ao modo de operacionalizar, ou
seja, ensinar a pesquisar e competências.
Assim, fica claro e notório que o computador não tem como
finalidade substituir o professor, mas ser mais um meio para chegar
ao proposto, seja de informação, comunicação, divertimento ou
qualquer outro objetivo que queira ser alcançado. Esta é a proposta
para um olhar diferenciado frente às transformações mundiais que
afetam toda a sociedade e, em decorrência, a escola.
Junto com a instituição escolar, também são postas em questão as
práticas convencionais de ensino aprendizagem. A "tecnologização"
do ensino incentiva a crença de que o computador e outras mídias
podem substituir a relação pedagógica convencional. Cria-se, com
isso, a ilusão tecno-informacional de que é possível a aprendizagem
completa apenas com a presença do aluno diante dos equipamentos
informáticos. Naturalmente, não se trata de resistir à utilização
das mídias no ensino, mas de denunciar a exclusão do professor e de
outras mediações relacionais e cognitivas no processo de
aprendizagem.
A substituição da relação docente está obviamente associada a
determinados paradigmas de qualidade da educação em que importaria
mais o saber fazer e o saber usar do que uma formação cultural
sólida. Ou seja, o pensar eficientemente é uma questão de "saber
como se faz algo". A aprendizagem não é mais do que o domínio de
comportamento prático que transforma o aluno num sujeito competente
em técnicas e habilidades.
Entretanto, descaracterizar o sentido da aprendizagem escolar em
decorrência da presença das inovações tecnológicas é obviamente um
equívoco. O valor da aprendizagem escolar está, precisamente, em
introduzir os alunos nos significados da cultura e da ciência por
meio de mediações cognitivas e interacionais que supõem a relação
docente. Por outro lado, é certa a prática docente recente receber
o impacto das novas tecnologias da comunicação e da informação,
provocando uma reviravolta nos modos mais convencionais de educar e
ensinar.
Mas o pedagogo acredita que a formação cultural básica é o
suporte da formação tecnológica. Ou seja, a utilização pedagógica
das tecnologias da informação pode trazer efeitos cognitivos
relevantes, estes, porém, não podem ser atribuídos somente a essas
tecnologias.
É certo que independentemente das transições econômicas,
sociais, políticas, religiosas é inadiável ser coerente quanto às
decisões, às formas de resoluções de problemas, aos
questionamentos, ao modo de encarar a profissão professor, pois
para se ter profissionalismo é primordial ter responsabilidade e
comprometimento com a educação em si.
Afinal, a exigência social no contexto
atual é "aprender a prender" e ser competente para conviver com a
heterogeneidade. Reconhecer o outro, valorizar o ser humano, também
se dispor a inquirir a respeito da alteridade, inserindo-se na
realidade, sendo um agente transformador, que desenvolva a
criatividade, rompendo com os paradigmas antigos, criando novos
parâmetros de análise das diferentes experiências, trilhando novos
caminhos para uma prática pedagógica inovadora, com uma organização
do ensino diferenciada.
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